Tic-Tac.

“Tic-Tac” – Fazia o interruptor da lâmpada sendo perturbado pelo dedo de Ele. “Tic – Tac” – e se pudesse, se não fosse apenas um mero interruptor, socaria a cara de Ele com seguidos “Pow” – “Jow” – “Track”, como o seriado “Batman (1966)”.  E Ele aprenderia, que ninguém pode com o PODEROSO BOTÃO DE ACENDER E APAGAR A LUZ! O impulso fervente de querer e não poder ser um ser vivo mexeu brutalmente com sua cabeça , caso lhe sobre caísse o dom da vida, desprender-se-ia do concreto e, mesmo sem saber como, mataria Ele. 

Ela o deixara, pusera um fim ao extenso namoro de noventa dias, ainda que decorridas sublimes tardes de recreio num ominoso banco amarelo de madeira, tido como ícone do relacionamento , ” _ Dane-se” – pensou Ele por fim. A todo custo ansiava pelo casamento, a felicidade estaria nela e, consequentemente, em estar com ela. Não houve,  em momento algum, a menor das reflexões  sobre ter dezessete anos e as dificuldades precoces e peculiares que se manifestariam se concretizasse tal sonho em tão tenra idade.

Nosso primo da tomada aqui citado, caso estivesse sobre controle de um corpo humano como Ele, iria atrás de Ela e a faria voltar com Ele. “__Que saco!” – Não é nada interessante sentir suas entranhas serem constantemente movidas pelo fluxo intenso de elétrons.  (Tic-Tac) – E se (Tic)  ouvis(Tac) se mais um “Tiic”(Tic-Tac)”Tac”, surtaria, é verdade.

Ela partira, com passagem só de ida, o coração de Ele. Sentado em cima da cama em posição de meditação, apenas um olhar vago predominantemente triste tomava conta de seu rosto. Contentava-se a ouvir  não mais que os estalos do interruptor indo de cima a baixo de modo intermitente, de alguma forma isso aliviava sua dor. À principiou sentiu medo de queimar sua nova lâmpada azul a qual colocou em seu quarto; comprou-a na promoção por sete reais, achou incrível o efeito produzido, mal podia esperar para mostrar para Ela, e não pôde, no mesmo dia Ela terminou com ele.

“Só pode ser brincadeira” – e suas sobrancelhas só desciam,  caso continuassem a descer, tapariam o resto dEle, pois são grossas, espessas, espaçosas, enormes, gigantescas, colossais!  Então, emitiu resmungos incompreensíveis até para o mais onisciente narrador que já tenha existido e subitamente pára.  Após minutos prolongados parecendo horas de tortura, o alternador não resiste, estoura, morre, a lâmpada queima, falece. Ele apaga, dorme, esqueceu-se.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Ferrugem.

Hoje faz cinco anos que ela já sabe andar de bicicleta e já não é mais uma criança, sabe que o tempo passa e que por fim será devorada pelo tempo como todos e todo mundo, e é por isso que pedala na sua bicicleta vermelha, como se o vento fosse trazer de volta aqueles sonhos tão brilhantes, sonhos que a levavam para a lua, ou que a transformavam em uma pequena boneca. Pedala na sua bicicleta, vê o asfalto passar, a paisagem se projetar ao fundo, vê as pessoas sorrindo, vê que é uma pequena invisível.

Até que um o senhor Destino traça o inusitado. A bicicleta vermelha ficou ainda mais vermelha com o vívido sangue dessa garotinha que até então só sabia sonhar, brincar, amar. Acontece que tinta enferruja, e os sonhos se transfiguram como algo impossivel, o cheiro de realidade, de mundo real aparecia do amanhecer às noites de insônia, sozinha num apartamento minusculo, entre descuidos e tropeços costurava em sua vida pedaços  toscos de um caminho infeliz, distante de tudo que imaginava.

Antes de o tempo furtar toda sua beleza e abusar de sua paciência com os ridículos problemas adultos de uma vida burra e sem graça, ela tentava viver seus sonhos, e entre prantos e gritos ela dizia sozinha à noite em seu quarto: Amanha, irei em busca de uma casa com um vasto jardim, Amanha ! O amanhã chegou e ela nem sequer saiu de casa, estava ocupada demais com os cuidados fúteis de dona de casa; guardar, limpar, lavar, até ao deixar cair um anel em baixo do seu guarda-roupa , encontrou um porta retratos trincado ao meio, separando-a ironicamente daquele que a amava. Uma bela foto que, por algum motivo, ali estava. Lembrava agora, as pequenas lacunas da memória se preenchiam aos poucos. Por alguma coisa que nao compreendia, sentiu raiva, raiva da vida, aquele dia como todos os outros insosso , incolor, ardia nas suas entranhas famintas por aventuras…

Chorou; e sentiu, que tudo que conseguia fazer naquele momento era chorar. Não tinha  forças para lutar contra o impossível. Sentou, encostou-se no balcão da cozinha, alcançou uma faca e tentou entender naqueles minutos seguintes o que significava existir. A vida parecia demais para sua existencia, existir era algo que andava pesando nas suas costas…

Desmaiou.

 A náusea que aflingia suas narinas, os olhos que olhavam sem ver, parecia nunca mais acordar

Acordou.

Sem saber quem era. E mesmo sem saber, isso foi a melhor coisa que podia ter acontecido à ela.

O fato é que

algumas coisas  vêm

outras vão

mas o que fica é o que define; que todos um dia

morrerão.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Ferrugem.

Hoje faz cinco anos que ela já sabe andar de bicicleta e já não é mais uma criança, sabe que o tempo passa e que por fim será devorada pelo tempo como todos e todo mundo, e é por isso que pedala na sua bicicleta vermelha, como se o vento fosse trazer de volta aqueles sonhos tão brilhantes, sonhos que a levavam para a lua, ou que a transformavam em uma pequena boneca. Pedala na sua bicicleta, ve o asfalto passar, a paisagem se projetar ao fundo, vê as pessoas sorrindo, vê que é uma pequena invisível.

Até que um o senhor Destino traça o inusitado. A bicicleta vermelha ficou ainda mais vermelha com o vívido sangue dessa garotinha que até então só sabia sonhar, brincar, amar. Acontece que tinta enferruja, e os sonhos se transfiguram como algo impossivel, o cheiro de realidade, de mundo real aparecia do amanhecer às noites de insônia, sozinha num apartamento minusculo, entre descuidos e tropeços costurava em sua vida pedaços  toscos de um caminho infeliz, distante de tudo que imaginava.

Antes de o tempo furtar toda sua beleza e abusar de sua paciência com os ridículos problemas adultos de uma vida burra e sem graça, ela tentava viver seus sonhos, e entre prantos e gritos ela dizia sozinha à noite em seu quarto: Amanha, irei em busca de uma casa com um vasto jardim, Amanha ! O amanhã chegou e ela nem sequer saiu de casa, estava ocupada demais com os cuidados fúteis de dona de casa; guardar, limpar, lavar, até ao deixar cair um anel em baixo do seu guarda-roupa , encontrou um porta retratos trincado ao meio, separando-a ironicamente daquele que a amava. Uma bela foto que, por algum motivo, ali estava. Lembrava agora, as pequenas lacunas da memória se preenchiam aos poucos. Por alguma coisa que nao compreendia, sentiu raiva, raiva da vida, aquele dia como todos os outros insosso , incolor, ardia nas suas entranhas famintas por aventuras…

Chorou; e sentiu, que tudo que conseguia fazer naquele momento era chorar. Não tinha  forças para lutar contra o impossível. Sentou, encostou-se no balcão da cozinha, alcançou uma faca e tentou entender naqueles minutos seguintes o que significava existir. A vida parecia demais para sua existencia, existir era algo que andava pesando nas suas costas…

Desmaiou.

 A náusea que aflingia suas narinas, os olhos que olhavam sem ver, parecia nunca mais acordar

Acordou.

Sem saber quem era. E mesmo sem saber, isso foi a melhor coisa que podia ter acontecido à ela.

O fato é que

algumas coisas  vêm

outras vao

mas o que fica é o que define; que todos um dia

morrerão.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Delírios de um Eu.

(…)

___Nós sozinhos à noite, à beira mar… – é interrompido bruscamente.
___Não! Sério, levá-la a lugares assim alimentará a esperança de ter algo mais sério futuramente, você sabe o que quer e não é isso.
___Não? 
___Não, não é. Vou te dizer o que você quer, pode ser difícil de entender mas você saberá que é verdade assim que escutar a palavra, e a palavra é: “sexo”.
___Não.
___Não?
___Não.
___Nem vem à mente? 
___Na verdade nada disso passou pela minha cabeça, só agora com todas essas horas de perguntas você me fez pensar. Eu só pensava em amar.
___Não me venha com esse papo. Como você se imagina dando uns amassos nela? O que você sente?
___Nem frio nem calor, nem ódio ou rancor, imagino-me imerso, iludido, envolto em amor.
___Nossa, que merda grande saiu da sua boca agora… Você precisava se ouvir.
___Não estou?
___Na verdade está.
___Nunca pensei que seria tão complicado ter uma conversar comigo.
___Nem eu.
___Ninguém aqui pensa como eu. – avista um outro.
___Nota-se que és egoísta ao dizer isso.
___Não. VOCÊ!?
___Sim, você.

(…)

 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Hello world!

Welcome to WordPress.com! This is your very first post. Click the Edit link to modify or delete it, or start a new post. If you like, use this post to tell readers why you started this blog and what you plan to do with it.

Happy blogging!

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário